Estatuto do homem
Fica decretado, por definição
Que o homem é um animal que ama
E que por isso é belo,
Muito mais belo que a Estrela da Manhã.
Decreta-se que nada será obrigado
Nem proibido:
Tudo será permitido.
Inclusive brincar com os Rinocerontes
E caminhar pelas tardes
Com uma imensa begônia na lapela.
Parágrafo único: só uma coisa fica proibida:
Amar se amor.
Fica decretado que o dinheiro
Não poderá nunca mais comprar
O Sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
O dinheiro se transformará em uma
Espada fraternal
Para defender o direito de cantar
A festa do dia que chegou.
Fica proibido o uso da palavra Liberdade
A qual, será suprimida dos dicionários
E do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
A Liberdade será algo vivo e transparente
Como um fogo ou um rio
Ou como a semente do trigo
E sua morada será sempre
O coração do homem
Thiago de Melo, poeta amazonense.

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